
Acabaram-se as férias. De volta á rotina.
Os espanhois têm algo a que chamam as “depreciones post-vacaciones”. Os japoneses não chegam a gozar as férias todas a que tem direito. Preferem trabalhar. Na fabula da Formiga e a Cigarra, os japoneses são a formiga e os espanhois a cigarra. Eu confesso um pouco a medo, nesta sociedade tão competitiva em que vivemos, que eu sempre, desde tenros anos, simpatizei mais com a cigarra, do que com a formiga.
O trabalho, ocupa nos dias de hoje, para a grande maioria das pessoas, um papel prioritário. Mesmo em férias as pessoas manten-se disponiveis, deixando o telémovel ligado, para numa emergencia, alguém do emprego poder ligar.Eu cigarra, desligo-me por completo. Vivo as minhas horas de liberdade ao sabor do vento e das minhas vontades.
O sentido da vida tem que ser mais do que a parte profissional. Que não deve ser descuidada, mas também não deve ser supervalorizada.
Vive-se para a carreira profissional. E ficamos sem tempo para nós, para os outros, para o lazer, para o ocio. Somos formigas.
Os empregadores pedem cada vez mais, colaboradores empenhados, que vistam a camisa da empresa e se entreguem de corpo e alma. E nós pela ambicionada realização profissional, assim o fazemos. Trabalhamos para além do horario, levamos trabalho para casa e estamos contactaveis vinte e quatro horas ao dia.
Pergunto, estamos realmente a contribuir para a nossa realização? Ou estamos a contribuir para a “realização” dos empregadores, que benefeciam de um numero menor de colaboradores, do que aqueles que precisariam, caso todos trabalhassemos as horas vinculadas por lei, e quando saíssemos dos nossos empregos deixassemos para tráz tudo o que a este dizesse respeito?
Os dias têm 24 horas, as semanas sete dias, os anos doze meses. A vida é curta.
Em tudo tem que haver peso e medida. Bom censo. A nossa vida tem varias vertentes e nós devemos procurar o equilibrio para todas.
Nada me aborrece mais do que encontrar-me com alguém, durante os meus tempos livres, que me fale de trabalho. Sair, para ir beber uns copos, descontrair,relaxar, desanuviar e....
aparece um “chato” com as histórias de trabalho......
E há sempre um, ou mais.
Mas o que seria de esperar? Se a verdade é que não fazem mais nada. Falar de quê? Do filme que não viram? Do livro que não leram? Das aventuras que não viveram?
Acabaram-se as férias. O regresso. E ja a sonhar com as proximas.
Sou cigarra por vocação e formiga por obrigação.
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